NELAS VEJO MINHA ALMA

NELAS VEJO MINHA ALMA
A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

“Um dia de cada vez...”



São bocados de lembranças atadas ao tempo
Grilhões emocionais de saudade e alento
Que parecem não ter forma, ambiente, sequer cor
Intermitência de letargia, devaneio e torpor.

Ensurdeço nesta ânsia de atrasar o tal momento
Emudeço ante um prazer porvir e sedento
Desejo uterino de ouvir o pulsar, sentir o calor
Num encontro único ou eterno - seja como for

Nossos opostos acumulados eram emoção e razão
Como duas parcelas perfazendo o total da adição
Feitas da mesma matéria éramos causa e efeito
Se um foi uma escolha, o outro pelo destino eleito

Hoje meu olhar vaga, nada assimila com exatidão
Apenas névoa ao invés de um farol em tua direção.
É meu coração pulsando, agora fora do peito
Ávido para dançar nas batidas do teu - ao leito

E fica uma sensação de busca interminável
Que ora parece doída, ora se faz inefável
Parece esquina errada, assunto mal acabado
Passos trôpegos em caminho malfadado.

Hoje, metade de mim domina a dor implacável
Num latejo descompassado e decerto imutável.
E a outra metade abraça um ser fragmentado
Mas pronto para te amar, se a tanto instado

Munida de força e fé, sobrevivo com altivez
Certezas e assertivas me conduzem ao talvez
Sustentando esta saudade, um dia de cada vez.

(Gloria Salles e Luiz Henrique)

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